sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Perfeccionismos e medos... Responsabilidades!

Obrigada, meu anjinho, pelo carinho e incentivo! Se o blog vai ser famoso um dia, eu não posso saber, mas espero que propagandeie razoavelmente o meu estilo literário e que meu primeiro livro venda ao menos uma tiragem, um dia... Logicamente, eu preciso publicá-lo primeiro, e, para publicá-lo, ele deve ser aceito por uma editora, e, para ser aceito, precisa ser apresentado, e, para tanto, eu preciso decidir qual deles e quando darei meu adorável rostinho à tapa! Meu medo de receber um "não" ou dezenas de críticas violentas, que me façam questionar o sonho de uma vida consciente inteira, consegue ser maior que meu medo de dar aulas! E os dois compreendem o simples fato de que... Bem, acho que tenho dificuldade com críticas, apesar de ser muito crítica eu mesma. E tenho essa dificuldade porque detesto errar. Obsessão por perfeição! Isso tem remédio? Tem correção?

Sabem, eu venho de uma família cujo maior objetivo é evoluir sempre, cada vez mais. Evoluir no caráter, no espírito, nas atitudes, nos sentimentos, nas visões de vida. E é neste sentido que eu mais me cobro. Meus livros são um reflexo das minhas análises, dos meus progressos e das estagnações. Meus livros são leves aberturas da minha alma. Seria estranho vê-los julgados como "estorinhas" de menina ou coisa parecida. Eu acredito que as obras de um artista são como seus filhos. Sim, pois, da mesma forma que uma mãe amorosa de um tudo faz para manter saudável seu bebê e depois para criá-lo bem, dentro de seus valores, no caminho da retidão; do mesmo modo que uma mãe pode ser perfeccionista no zelo pelo rebento, somos nós, artistas, perfeccionistas no esmero com que moldamos nossas obras. Creio ser essa uma das maiores razões para a minha grande falta de interesse pela maternidade. Afinal, é através das minhas criações literárias que me realizo. Acredito que o mesmo se dá com outros autores, com músicos, dançarinos e artistas de todo gênero. Eles se realizam com o prazer, com a compensação de ver pronta, completa, "perfeita" a sua obra. Ainda que, como já escutei muitos depoimentos, nenhuma obra seja perfeita aos olhos do artista para sempre; o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento sempre evidenciará novas falhas.
No todo, meu argumento funciona. Sou perfeccionista e tenho medo de expôr meus trabalhos porque tenho medo de vê-los repudiados e até mal-interpretados, assim como uma mãe se ressente de críticas ao seu filho. Ela pode simular auto-controle e compreensão, mas nunca estará satisfeita. Poderá até mesmo sentir-se desmotivada. Eu sei que me sentirei. Nunca deixarei de escrever, eu sei, porque é algo além, muito além de minha consciência, de meu querer, é algo que se vai acumulando endoidecidamente no peito e rebenta em versos, parágrafos, palavras soltas, maravilhas e porcarias, dependendo do momento. É algo além da minha vontade humana, quase uma necessidade fisiológica. Dá pra entender o pavor da pessoa?
Mas eu sei que tenho que tentar, que quem arrisca não petisca, e mais um monte de ditados batidos pra dizer a mesma coisa... Que só se vence, tentando. Estou lutando para desenvolver a coragem. Assim como aquela de que necessito para dar aula. Como que eu nunca pensei nisso? Fazendo História, nunca passou pela minha cabeça que teria de dar aula. Quer dizer, nunca conscientemente, racionalmente, concretamente. Mas o momento está chegando e ele me assusta. Imagine só um bando, dezenas de carinhas ansiosas mirando você, esperando algo brilhante sair da sua boca e ao mesmo tempo atentos às suas mais profundas fraquezas, para delas fazer uso ao primeiro sinal de tédio coletivo! E do jeito que eu sou, isso não vai prestar... Não tinha paciência com os meninos imaturos da minha turma quando estudava com eles... Agora, então! A posição de autoridade me incomoda. Ela implica enorme responsabilidade e, ao mesmo tempo, acentua instintos humanos de dominação. Não sou a dona da verdade, mas também sei como não vou tolerar abusos... Pode ser maravilhoso, posso me apaixonar pela coisa e querer fazê-la pro resto da vida. Mas posso também me sentir totalmente fora de contexto. E aí? O que fazer, se não se dá pra viver de pesquisa neste país?
E tem mais, eu tenho visto que, para ganhar o carinho dos alunos, a maioria dos professores vira animador de festa! Eu nem em sonhos saberia fazer quarenta alunos rirem propositalmente! Até solto umas piadinhas de vez em quando, mas só pros amigos mais íntimos, que têm uma noção de humor bem parecida com a minha... Pior que eu também gosto das piadinhas dos professores - quando elas não são tudo aquilo que eles têm a oferecer. Eu gostaria de ter um pouco disso. Mas não tenho. E sei que só erudição não salva ninguém. Bem, acredito que eu acabarei dando um jeito! Talvez não seja mesmo o bicho-papão que eu estou projetando...
Quanto aos livros, maior que meu medo de ir à luta é meu medo de nunca saber no que daria se eu tivesse ido. Sei que, cedo ou tarde, eu colocarei um ponto final numa frase e saberei que as centenas de páginas que a precederam merecem ir à público, que medo nenhum nesse mundo justificaria que eu as escondesse. Não porque eu seja uma escritora brilhante, algo totalmente revolucionário. Mas porque tudo aquilo que eu aprendi na vida, tudo aquilo que eu procuro fazer emanar dos meus livros e poesias, foram os exemplos e ensinamentos que transmitiram meus pais, as pessoas mais importantes da minha vida. E há lições valiosíssimas passadas por eles que eu me sinto na obrigação moral de retransmitir. Afinal, os dons não são dados à toa às pessoas. Todas têm dons particulares e devem utilizá-los em prol da coletividade. Aliás, eu só acredito que se possa mudar efetivamente o mundo pelo pouco constante... É nos pequenos exemplos, nos atos simples de bondade e bom senso, que as pessoas se provam enquanto seres humanos e alteram alguma coisa nesse mundo. As grandes realizações são importantes, mas é o labor de todo dia que reforma a sociedade, em vários níveis.
E ainda há tanto a ser feito... Espero que, escrevendo ou dando aulas, eu possa fazer a minha parte! Já disse Stan Lee que grandes poderes trazem grandes responsabilidades, e Saint-Exupéry que nos tornamos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. Pois eu acho que a responsabilidade é equivalente à nossa consciência das coisas e aquilo a que nos propomos. Como a idealista e humanista que penso ser, acho que só me resta esquecer meus medos, levantar as mangas e começar a laborar! Do modo, é claro, como me foi dado fazer...
Vou-me indo, que o namorado aguarda! (E "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Entendeu agora, bebê, a interpretação que eu fiz da coisa toda?)
Hasta la próxima!!!


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