quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Grandes celebridades... Exemplos de humanidade!

Estava hoje buscando essas caricaturas de célebres figuras da História que me despertam interesse e admiração, quando comecei a refletir. Em verdade, qualquer evento usualmente me conduz à profunda reflexão; este, que envolve de tal modo minhas escolhas e gostos pessoais, não poderia ser diferente.
Comecei por Jane Austen por razões óbvias: para além de quaisquer qualidades pessoais, essa senhorita começou a escrever seu primeiro romance aos 14 anos. Eu comecei o meu primeiro aos 12, e estarei realizada se alcançar um fragmento centesimal de seu sucesso. Jane Austen é, para mim, um ícone no meio que mais me encanta, o da Literatura, mas também inspirou grandes contribuições na minha vida pessoal. Apesar de meu romance favorito ser Prtide and Prejudice, foi lendo Sense and Sensibility e Persuasion que mais aprendi. Acho que sempre tive muito de Marianne Dashwood para não me sensibilizar ao descortinar o desfecho de seu drama. Se algum dia sonhei com Johns Willoughbies, Henries Crawfords e Williams Elliots, grandes conquistadores e mestres na arte do seduzir, hoje minha fascinação por tal tipo de caráter restringe-se ao fazer literário e, na vida real, eu também prefiro um Edward Ferrars, um Edmund Bertram, até mesmo um anti-romântico Henry Tilney ou um tipo mais cômico como Charles Bingley - cuja honestidade e fidelidade são incontestáveis. Para além de minhas preferências masculinas, muito para além disso, Jane Austen ensinou-me que a vida não é feita de emoções arrebatadoras e rompantes, de impulsos e paixões tórridas. Ela inclusive despertou-me para o óbvio: que amor e paixão são coisas distintas. A paixão dilacera, consome, endoidece, e some tão velozmente quanto a chama de uma vela. O amor consola, encoraja, fortalece, consolida, e permanece como a rocha mais sólida. Apesar de diferir no tocante aos benefícios do amor verdadeiro, Emily Brontë também entendia a noção de solidez do sentimento a que me refiro, ao mostrar que amor não se intimida nem diante do caráter profano do ser amado, que não é particularidade de mocinhos... Que os vilões também têm seu quinhão! Heathcliff que o diga! Jane Austen ainda versou belamente sobre a paciência e a espera tão necessárias à vida de uma mulher, em Persuasion. A mulher que busca o amor verdadeiro não se deve deixar levar pela demora de sua chegada, mas compreender que tudo tem seu tempo certo no plano macroscópico de nossa existência e que o que a nós pertence, guardado está para o momento em que estivermos prontas para recebê-lo.
Hoje, eu me considero uma pessoa bem mais racional, apesar de nunca haver sido uma adolescente esfuziante e insandecida, à caça por aventuras. Sempre fui tranqüila, mas também tive meus sonhos principescos. Hoje, com os pés mais no chão, vivo bem melhor. Descobri que o amor é, acima de tudo, paz, e, sem dúvida alguma, Miss Austen teve uma enorme contribuição nessa descoberta. E viva Colonel Brandon, com seu cavalheirismo senhoril, com sua bondade desmedida e amor sincero, estável, constante! Viva a constância, pois, somente através dela, as emoções e prazeres flamejantes do amor valem a pena!
Einstein dispensaria quaisquer comentários. O velhinho foi incrível em todos os aspectos! Para além de sua genialidade, foi um modelo de bondade, docilidade, de retidão e de fé. Minhas melhores citações sobre fé são dele. E são tantas... Acho que falam por si mesmas...
"A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o sentido do mistério. Ele é a fonte de toda verdadeira arte e de toda verdadeira ciência. Quem nunca experimentou essa sensação encontra-se como se estivesse morto: seus olhos estão fechados. Esse perscrutar nos mistérios da vida, ainda que confuso ao medo, deu vida à religião. Saber que o que para nós é impenetrável existe realmente e se manifesta com a mais alta sabedoria e a mais radiante beleza que os nossos pobres sentidos conseguem perceber somente em suas formas mais primitivas, essa consciência, esse sentimento, é a essência da verdadeira religiosidade."
E palmas para o mais humano e mais divino dos gênios! Homem adorável, de humor leve e nada taciturno, que gostava de paz e gostava de crianças, que se esquecia de vestir-se e ia trabalhar de pijamas de manhã, que dava língua em fotos, que se desprendeu de seus altos preceitos acadêmicos para dar aulas a uma menininha nos últimos anos de sua vida, que morreu dormindo na paz mereceida dos grandes seres e que, não sendo religioso, foi um dos homens de maior fé deste século, tendo embasado sua fé em contemplação científica da natureza! Um homem que se questionou se suas descobertas teriam valido a pena pelo uso abominável que os homens de guerra fizeram dela. Um homem que eu admiro não pelo cérebro que tantos endeusam e que inclusive arrancaram dele tão logo ele faleceu, mas pelo coração que foi um exemplo para a frieza com que as Ciências Duras usualmente trata(va)m a vida - pois muita coisa tem mudado com o fim do reinado positivista.
A Neil Gaiman, de cuja vida desconheço detalhes, eu dedico minha profunda admiração leiga, pontilhada por indagações. Grande roteirista da série em quadrinhos Sandman e escritor de muitos livros de peso, eu gostaria de sentar-me com esta grande figura e bater um papo camarada, sondar seu espírito, suas pretensões, compreender sua obra, que eu apenas contemplo, boquiaberta. Ele esteve no Brasil e eu não fui vê-lo - na FNAC, tão pertinho! Enfim, por ora, contento-me em enveredar-me pelos mistérios entorpecentes de Lord Morpheus e seus seis bizarros irmãos, nessa leitura que, intercalada pelas mais propositais banalidades, é do início ao fim pura filosofia e abstração, misturada ao indefinível sarcasmo britânico de que sou grande apreciadora.
Mozart, Herr Mozart, mais um gênio em minha lista! E, novamente, não é precisamente a genialidade que mais me surpreende, mas o amor indescritível pela arte - e logo a arte da música, que é, creio eu, a que mais nos aproxima das esferas superiores do Espírito! Qualquer artista que se entrega de corpo e alma à sua arte é digno de minha profunda admiração. Assim sendo, Mozart, que exauriu sua vida em suas composições, manifestando seu brilhantismo desde os primeiros anos da existência, poderia apenas figurar como o maior exemplo de tal espécie! Risonho, engraçado, pueril e despreocupado das comezinhas da vida, esta é a imagem que faço da figura badalada. Grande espírito contribuidor das artes em nosso embrutecido planeta, este Ser superior trouxe ao mundo uma música jamais vista, uma música pulsante de vida e alegria, uma música que está para além de nossa compreensão humana, pois emana uma substância que, como disse o meu adorável Físico, está para além de nossos "primitivos sentidos"... Que vem diretamente do Alto, sendo filtrada pelas limitações do cérebro humano! Graças a Deus, alguns ainda gozam de uma indescritível sensibilidade espiritual, para perpetuar a delicada manifestação deste Espírito, nos dias de hoje audio-visualmente poluídos pelo que de mais baixo a mente humana pode produzir...
A Shakespeare, eu jamais saberia fazer a homenagem devida, pois que não conheço sua obra a fundo - e não a teria conhecido jamais, ainda que quisesse, pois uma alma modesta como a minha não pode alcançar as divagações shakespearianas em sua totalidade. Foi outro gênio, porém, de imensa humanidade, compreendedor sublime dos anseios que nos inquietam, das intrigas pueris, dos duelos e batalhas do homem moderno. Muitos não entendem porque Shakespeare não morre no imaginário popular. Ora, pois, como poderia morrer aquele que levantou as questões mais simples e as mais complexas que a alma humana ainda não conseguiu responder, depois de quinhentos anos? O que é o "ser-ou-não-ser" além da representação sintética de todos os dilemas que nos perseguem? Conhecedor de Filosofia, Política, Psicologia e História - embora deficiente para os padrões atuais - , este homem que sabia falar como mendigo e como rei e que colocava ambos para andar lado a lado em muitas cenas teatrais, esse homem que nem faculdade fez, quando todos os dramaturgos de sua época gabavam-se de tal coisa vaidosamente, esse homem que viveu e morreu atormentado pelos questionamentos mais profundos a que somos acometidos diariamente e que deles dispôs de maneira sublime, original, criativa e cheia de vida e humor - este homem não poderia deixar de figurar em minha lista de grandes personalidades! Este homem que, para além de qualquer academicismo e sistematização, para além até do espírito renascentista de sua época, soube inspirar da própria vida a sua inspiração! E com ela fez milagres, de que temos uma pálida noção ainda hoje!
Ah, Dom Pedro II, agora, sim, sinto-me em casa! Meu bom velhinho! Aqueles que me conhecem sabem a admiração que tenho pela figura! A crueza do curso de História e sua banalização constante de todas as grandezas da vida não conseguiram aniquilar minha fascinação por esse imperador! Um homem culto, correto, sensível, bondoso, verdadeiro amante dessa nossa pátria - talvez o maior que já a governou - , cheio das melhores intenções, mas travado pelas circunstâncias e impossibilidades da época. Este homem que, poucos sabem, interessou-se enormemente pelo objeto curioso que Graham Bell exibia numa feira científica, e que, portanto, foi grande colaborador da difusão do telefone! E adivinhem o que nosso grande monarca citou na experimentação da engenhoca! "To be or not to be"!!! Tinha de ser, né? Foi amigo de Thomas Edison e, como se pode ver, um fervoroso incentivador das artes e das ciências. Grande, grande velhinho! O maior Papai Noel da nossa História, a meu ver! E podem me chamar de monarquista, que eu não me incomodo. Não estou tratando da liberdade pela qual tanto prezo, ou entraria em infindáveis discussões sobre contextos históricos, mas sim fazendo homenagem ao fabuloso Homem por detrás da coroa - ele, que nem gostava de ser retratado nos trajes de gala, mas sempre preferia ser visto como um cidadão comum e acompanhado de objetos aos quais atribuía grande valor, como um bom e velho livro.
Bem, eu pensei em ter muitos outros, como o pacifista Gandhi, o compositor Liszt e o pintor Bouguereau na minha lista, mas não se pode ter tantos favoritos. Estas são as celebridades que mais me fascinam, que muito me ensinaram e serviram de exemplo - algumas até mesmo no aperfeiçoamento de mente e caráter. São uma boa pedida e acredito que sempre valha a pena pesquisar aqueles por detrás de suas obras favoritas... (Ainda que tal tarefa não traga apenas prazeres, como teria sido o caso de um admirador de Richard Wagner, mas que, no mínimo, nos faça refletir) Em geral, descobrimos maravilhas! Porque são todos eles, acima de tudo, humanos como nós. E, apesar de seu papel em minha vida, eu não deixo de repetir que mais importantes são aqueles dos quais eu jamais conhecerei o nome, aqueles que serão esquecidos pela História, mas que influenciarão milhares à sua volta, como os monges tibetanos, que se privam da sociedade para a evolução do espírito e benefício de toda a humanidade, e como os trabalhadores mais humildes de todas as partes do globo, que acordam e se levantam todo dia pelo bem-estar de sua comunidade, e que laboram incansavelmente com um sorriso nos lábios e uma fé inabalável no coração! A estes, nós devemos, de fato, os maiores e mais calorosos aplausos! (Bouguereau compartilhava deste meu raciocínio e por isso procurava sempre privilegiar os desvalidos, os camponeses, em suas vidas simples e serenas no campo... Esta pintura ao lado é uma espécime de seu adorável talento! Tenho mais de duzentas e foi difícil escolher!)

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